TSE devolve comando da Democracia Cristã no Paraná a Ricardo Gomyde
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu nesta sexta-feira (25) liminar que determina o restabelecimento de Ricardo Gomyde na presidência estadual da Democracia Cristã (DC) no Paraná.
A decisão suspende a destituição da direção estadual e determina ao TRE-PR o restabelecimento da composição anterior. O processo é o mandado de segurança nº 0601285-62.2026.6.00.0000.
Segundo Mendonça, há indícios, em análise preliminar, de que a direção estadual foi destituída sem notificação prévia e sem oportunidade de defesa. Para o ministro, essas garantias devem ser respeitadas pela direção nacional mesmo em casos de intervenção em comissão provisória.
Convenção de agosto continua valendo
Apesar da retomada do comando estadual por Gomyde, a liminar não desfaz as deliberações da convenção realizada em 5 de agosto.
Na prática, Gomyde reassume a direção da legenda, mas os compromissos eleitorais aprovados naquela convenção permanecem válidos. A decisão, portanto, não determina mudança de coligação ou de apoio eleitoral.
A liminar é provisória e ainda será analisada de forma definitiva pelo TSE.
Disputa pelo comando da DC
A disputa interna da Democracia Cristã vinha sendo marcada por mudanças no comando estadual. A direção que substituiu Gomyde passou a vigorar em 15 de julho.
Nos autos, a composição posterior aparece sob o comando de Rafaela Martins Losi, prefeita de Clevelândia, no Sudoeste do Paraná. Foi ela quem assinou a convocação da convenção de 5 de agosto, cujas deliberações foram preservadas pela decisão de Mendonça.
Gomyde havia articulado anteriormente a filiação de Tony Garcia à DC, em um movimento que chegou a considerar uma candidatura do empresário ao Governo do Paraná.
Posteriormente, houve articulação para a substituição de Gomyde por Fabio Aguayo, aproximando a legenda do grupo político ligado a Sergio Moro.
Decisão tem efeito limitado na eleição
Embora Gomyde volte ao comando formal da DC no Paraná, a liminar não altera, neste momento, as decisões eleitorais aprovadas pela legenda em agosto.
O ministro determinou a comunicação urgente ao TRE-PR e abriu prazo para manifestação das partes e da Procuradoria-Geral Eleitoral. Depois dessas etapas, o processo deverá retornar para análise da medida.
Aguayo reagiu à decisão com ironia, afirmando que Gomyde “ganhou, mas não levou”, em referência ao fato de recuperar o comando partidário sem conseguir, por enquanto, modificar o posicionamento eleitoral definido pela convenção.
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